Produção agrícola

A vitivinicultura na região da Campanha remonta à década de 70, quando pesquisadores da Universidade de Davis, na Califórnia, juntamente com pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas identificaram uma larga faixa de terra na fronteira do Brasil com o Uruguai, de aproximadamente 270 mil hectares, naturalmente vocacionada para o cultivo de uvas viníferas. Desta forma, a empresa americana National Distillers investiu US$ 25 milhões no Projeto Almadém e foi pioneira na implantação da atividade em 1974, em Santana do Livramento.

Os atributos edafo-climáticos da região da Campanha, na qual localizam-se os municípios de Dom Pedrito, Livramento, Bagé, Candiota e Pinheiro Machado, entre outros, mostram a inegável aptidão da região para a atividade vitivinícola. A alta insolação que ocorre na região nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro (acima de 740 horas), unido à ocorrência de baixas precipitações nesse período (abaixo de 330 mm), geram o Quociente heliopluviométrico de maturação (QM) superior a 2,2. Este quociente, que nada mais é que o somatório de insolação (horas) dividido pelo somatório da precipitação (mm), indica que quanto mais alto for, maior é a aptidão da região para o cultivo de uvas viníferas. Na tabela 1 é possível verificar que os municípios da metade sul do estado apresentam o QM maior que a tradicional região produtora de uvas viníferas, a Serra gaúcha, representada na tabela por Caxias do Sul. Esses atributos, aliados a ocorrência de horas-frio e amplitude térmica que atendem as exigências da cultura, permitem a obtenção de bagas com maior graduação glucométrica (o grau Babo, que é a percentagem de açúcar do mosto) e boa coloração, características necessárias para obtenção de vinho de qualidade.

Tabela 1: Dados Climáticos referentes ao período de dezembro a fevereiro dos municípios de Bagé, Uruguaiana, Santana do Livramento, Pelotas, Caxias do Sul e Vacaria.

Dezembro, Janeiro e Fevereiro Insolação (horas) Precipitação (mm) Quociente heliopluviométrico de maturação (QM) Gradiente temperatura dia/noite
Bagé 770 320 2,4 12,6
Uruguaiana 765 345 2,2 12,7
Sant. Livramento 745 330 2,3 13,6
Pelotas 765 335 2,3 10
Caxias do Sul 675 420 1,6 10,8
Vacaria 657 436 1,5 10,6

A existência de uma grande extensão de terras mais baratas que a Serra Gaúcha e livres de pragas e viroses é outro atrativo da região para o desenvolvimento da vitivinicultura. O fato de atividade ser feita em pequenas áreas com alta lucratividade é uma alternativa também para os produtores da região diversificarem e intensificarem ainda mais os empreendimentos nas propriedades rurais.

Através destes argumentos, a Estância Guatambu apóia a vitivinicultura na região da Campanha e começou em 2003 a implantar vinhedos de uvas finas, visando diversificar a atividade agrícola da propriedade e explorar seu potencial edafo-climático. O vinhedo localiza-se na Estância Leões, tendo como coordenadas geográficas 30°58" S e 54°29" WO, a 260m de altitude, incluindo-se na faixa das melhores zonas para vitivinicultura mundial. Em 7,5 ha são cultivadas as tintas Cabernet Sauvignon, Tempranillo, Merlot e Tannat, e as brancas Chardonnay, Sauvignon Blanc e Gewürztraminer. Seguindo a filosofia da empresa de gerar produtos de qualidade, os vinhedos são cuidadosamente planejados e manejados conforme as tecnologias mais modernas que existem em viticultura. As mudas são importadas da França e Itália e conduzidas no sistema espaldeira.


Em 2007 a Guatambu firmou uma parceria com a Embrapa Uva e Vinho, com o objetivo de estudar e caracterizar o potencial da região da Campanha para a vitivinicultura. Fruto desta parceria, foi produzido o primeiro vinho Cabernet Sauvignon da Guatambu, que destacou-se ficando entre os 30% superiores da safra 2008 na Avaliação Nacional dos Vinhos. O vinho será lançado e 2009, em comemoração aos 50 anos da Guatambu.